Tudo começa num bar. Muitas vozes se entre cortando, barulho de copos, risos. Aos poucos se impõe uma voz feminina.

Uma mocinha japonesa de cabelos laranja e boca vermelha olha em nossa direção. Demora um pouco mas depois compreendemos que estamos olhando o bar através dos olhos puxados de uma garota de franjinha e rabo de cavalo. Ela está falando ao celular.

Agora vemos seu rosto bonito, com a pele clara, olhos expressivos. Tudo nela é juventude. Mas está triste, zangada com quem fala ao telefone. Ela se justifica, dá provas de que está com Nagiza, a de cabelos laranja. O namorado de Akiko não acredita nela? Está com ciúmes?

Assim começa para nós a história de Akiko, garota de programa, como veremos depois, que veio para Tóquio para ganhar a vida. Dividida entre a avó que veio visitá-la, o namorado que ela engana e o seu trabalho de gueixa contemporânea, ela escolhe o último. Larga a avó esperando, o namorado sozinho e vai viver uma aventura.

Akiko vai ao encontro de um cliente, que o seu patrão escolheu para ela. Um homem muito especial, diz ele, que é um homem maduro.

Com seu vestido verde e curto, ela entra no táxi e, apesar de passar pela avó que a espera na praça, chora mas não hesita em continuar em frente.

O cliente, veremos, é realmente um homem especial. Um velho professor, escritor, que vive sózinho entre seus livros e papéis e que parece que anseia por companhia feminina, alguém que ele possa mimar e conversar. Afinal, os únicos retratos que vemos em seu apartamento são os das mulheres de sua vida: a esposa, a filha e a neta. Não sabemos se isso é verdade.Não sabemos nada sobre elas. Como não sabemos quase nada sobre o professor, Akiko e seu namorado.

Essa é uma das características marcantes do diretor iraniano Abbas Kiorastami. O espectador deve estar ativo, preenchendo lacunas propositais para que a nossa imaginação trabalhe. Ele quer uma platéia viva, com as emoções sintonizadas na história que se passa na tela sem nenhuma explicação, a não ser o que acontece com os personagens.

“- Seu apartamento é bonito. Todos esses livros! Você leu tudo? Não joga fora depois que leu?”

E o velho professor sorri, encantado com ela.

Ella Fitzgerald canta “Like Someone in Love” ao fundo.

O Japão, em Tóquio, vai se descaracterizando. Parece uma cidade ocidental mas a tradição permanece de alguma forma.

Há uma necessidade de alguém mais sábio do que eles para orientar esses jovens que não sabem o que fazem. Um avô? Um professor?

Os mais experientes, como o próprio diretor Abbas Kiarostami, sabem que a natureza humana não muda, apesar das roupagens e jeitos novos.

A necessidade de amar e ser amado é o tema de “Like Someone in Love- Um Alguém Apaixonado”. E é eterna.

Assista ao trailer aqui:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ZN7OI5zn9Iw

Bom feriado para vocês!!

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5 Comentário:Um alguém apaixonado

  1. Luana

    Adorei !!!
    Estou postando beauty tips e acessorios de Los Angeles,
    Take a look:

    http://www.thegavlaks.com

  2. Fernanda

    Também adorei!
    Beijos Fe.

    Para dicas e novidades: http://www.fesparkle.blogspot.com

  3. Joao Paulo Siqueira Lopes

    Adorei Bru, A Eleonora além de um bom gosto para cinema, também escreve muito bem.

    J

    • Bru Pacífico

      É verdade Jota, adoro os posts dela!
      Adorei você por aqui!
      Beijos
      Bru

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